Constelação de bandas Brazukas encerram o ano com chave de Ouro
Em época de Natal, muitos paulistanos planejam sair da cidade grande e caótica para o interior do Brasil. Enquanto isso, num domingo ensolarado, no dia 21 de dezembro, o Burning House resolve encerrar o ano com um mini festival, organizado pela Dark Dimensions, reunindo 4 bandas: Siegrid Ingrid, Throw Me To The Wolves, Genocídio e Torture Squad.
No local, vemos uma feira livre, cheia de motociclistas, com suas Harley-Davidsons enfileiradas, e um palco improvisado bem abaixo da passarela, que liga à estação Água Branca, da CPTM.
Depois de lubrificar com doses do bom álcool, os portões se abrem. Vários membros da imprensa marcaram presença. Lá dentro, vemos várias bancas de merchandising das bandas que se apresentaram.
A primeira da tarde foi a Siegrid Ingrid, que levantou os defuntos, apesar do pouco público presente. O vocalista Mauro Punk é um veterano de guerra, pois sua performance vocal e energética é avassaladora. O restante da banda dispensa apresentações, inclusive o guitarrista André Grubber, que também é um ícone, já que ele tocou e gravou com a banda Skinlepsy, que contou com o lendário baterista do Anthares, Evandro Junior. Outro que também fez parte do Skinlepsy, e também faz parte do Siegrid é o baixista Luiz Berenguer. Vale ressaltar que o filho do André, Victor, esteve em todos os shows do festival, além de ser guitarrista prodígio.
A segunda da tarde foi a revelação do ano, Throw Me To The Wolves. Desde o dia 25 de janeiro, quando se apresentaram com a Nervosa (que também foi organizado pela Dark Dimensions), eles cresceram em termos de apresentações, como as aberturas do Exodus, Matanza Ritual e Hammerfall. A banda faz um som calcado no Death Metal Melódico, influenciado por Killswitch Engage, In Flames e Soilwork, e estão em plena divulgação do seu debut Days of Retribution, disponível em todas as plataformas digitais. O baterista Maycon Avelino é uma escavadeira, sem falar que ele também é fotógrafo e videomaker.
A tarde vai acabando e a lendária banda Genocídio se apresenta. Posso dizer, com toda a certeza, que a banda é uma das mais originais do nosso Metal Brazuka. Murillo Leite e Wanderley Perna são guerreiros dessa batalha árdua. Em seu set, divulgando seu disco Fort Conviction, eles tocaram a cover do INXS, Never Tear Us Apart. Realmente uma banda como essa adora desafiar seus fãs.
A última da noite que vem caindo dispensa qualquer apresentação. Realmente, o Torture Squad brilhou nesse ano, pois eles foram até o Wacken e soltaram os fogos labarentos. Mayara Puertas, Castor, Renê Simionato e Amilcar Christófaro foram saudados pelos seus fiéis fãs, com Hell is Coming, do disco Devillish. Mayara, além de ser uma das vozes mais marcantes e icônicas do nosso Metal, ela também é multiintrumentista.
De lá pra cá, foram só clássicos e circle pits. Sons como Pandemonium, Hellbound, Raise Your Horns, Murder of a God, Blood Sacrifice e Horror and Torture. Para introduzir Raise..., o Amilcar mostrou toda sua técnica apurada para o público. E, inclusive, ele estava acompanhando o jogo do Corinthians contra o Vasco na final da Copa do Brasil, que, naquela ocasião, conquistou seu quarto título, encerrando um jejum de 8 anos sem título nacional. Vale lembrar que o Castor também é corintiano.
O guitarrista Renê Simionato é uma lenda do Metal underground. Deixo aqui um relato meu. Em 2006, fui ao meu primeiro show de Rock na vida. E uma das bandas que vi foi a Midnghtmare, de Santo André, na qual o Renê era o guitarrista. Essa banda chegou a tocar o cover Postmorten, do Slayer. Aquele show foi muito importante para mim. E, agora, pude ver o Renê, agora no Torture, pela quinta vez.
O mesmo eu digo em relação à Mayara Puertas. Eu fiquei acompanhando ela no Facebook, quando ela foi vocalista do Necromesis. Eu sabia que, de alguma maneira, ela se destacaria como a nova promessa no Metal Brazuka. Principalmente, pelo fato de ser mulher e ter voz gutural, assim como eu acompanhei a banda Nervosa, quando tinha na formação a Fernanda Lira.
Os anos se passaram, e tudo mudou. Mayara, além de seu talento ímpar como vocalista e multiintrumentista, ela também é professora e orientadora vocal, ensinando muita gente a se profissionalizar na música. Amílcar também é professor de bateria no Bateras Beat. Uma das alunas mais ilustres é Gabriela Abud, atualmente na Nervosa.
O final veio com a cacetada The Unholy Spell, com a introdução violenta do baterista. Com isso, o ano do Metal terminou. Outra coisa a ressaltar. No mesmo dia, no Carioca Club, o Golpe de Estado encerrava sua trajetória, com um show histórico.
Com esse evento do Dark Dimensions, o fã volta para casa e merece descansar depois de um ano intenso de shows.
No ano que vem, 2026 promete ser histórico, com shows do AC/DC, Megadeth, Monsters of Rock, Bangers Open Air e Iron Maiden. Com um cronograma desses, o fã, pelo jeito, terá seu nome no Serasa.
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